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maternidade x estilo



Vamos conversar sobre nossa relação com o armário, o corpo e a maternidade? Há muito tempo que atendo mães e falo sobre o assunto, dou dicas práticas, mas depois que vivi na pele, tive um aprendizado muito importante: é muito difícil ficar 100% OK com o que vemos no espelho, não importa o que esteja acontecendo objetivamente no nosso corpo.

Desde que o teste dá positivo, é um turbilhão de mudanças. Não entendemos bem porque, mas tudo incomoda. Inchaço, sono, humor volátil, azia, enjoo, etc. E além disso, é como se, em um clique, tivéssemos que nos travestir de mãe - esquecer nosso estilo pessoal e embarcar em um jeito estereotipado de vestir que tenta meio que esconder o corpo que essa gravidez está gerando, com um discurso de que é funcional... Sei lá, para mim não fecha.

Durante minha gravidez, eu quis muito não me fantasiar de grávida. Acho que tem um lado em que o que o mercado oferece é bastante estereotipado, assumindo que todo mundo quer se vestir daquele mesmo jeito (escondendo gordura, com mensagem doce, fofa, mãe angelical, sabe?), mas muitas de nós não têm nada a ver com esse estilo e podemos sim continuar sendo quem somos!

Pensando nas mães: grávidas, em puerpério ou até mesmo com filhos grandes, mas que ainda se sentem confusas, reuni algumas dicas neste pequeno guia para sobreviver à maternidade sem deixar de se reconhecer no espelho ;)



1. MANTER O QUE É IMPORTANTE PARA vocÊ

Se você gosta de transmitir sensualidade, por exemplo, não faz sentido perder isso porque seu corpo está mudando. Não precisamos nos prender ao que é socialmente considerado decente ou correto para uma mulher grávida, não há porque querer esconder um corpo que está fazendo uma coisa tão maravilhosa.

Antes de sermos mães, sempre fomos e continuamos sendo indivíduos com necessidades, desejos e estilo próprio.

Minha dica aqui é: tente identificar o que, para você, é a coisa mais importante para sentir quando você se olha no espelho? Quer olhar e pensar o que? E então, tentar manter esses elementos que trazem essa sensação, mesmo na roupa "de grávida" ou "de mãe".



2. ELIMINAR O EXCESSO

Sabe como antes de embalar a mudança a gente dá uma eliminada no que não vale a pena carregar? Antes de embarcarmos na gravidez e puerpério, minha sugestão é fazer uma limpa no armário!

Não é para eliminar tudo, mas sim tirar da vista e deixar seu closet mais prático para o longo período em que você não vai usar muitas das coisas que estão ali. Assim, fica mais fácil e menos frustrante se vestir no dia a dia.

Algumas ideias do que podem sair:

  • tudo o que for muito justo, mesmo que tenha elastano: seu corpo vai crescer e não queremos destruir roupa que gostamos.

  • sutiã muito estruturado: o primeiro que cresce é o peito, antes da barriga, e o sutiã começa a incomodar rapidinho.

  • partes de baixo com botões e/ou tecido sem flexibilidade: a gente vai inchando ao longo do dia, e o que de manhã "entra", de noite já está insuportável.


3. NO COMEÇO

Nas primeiras semanas já está tudo diferente por dentro, mas por fora não é tão evidente assim, sabe?

Minha dica aqui é: mantendo seu estilo, o tipo de linhas e formas que te agradam, procure definir um pouco mais a barriga. Um jeito fácil de fazer isso é usar cintura alta e blusinha mais curta, marcando a cintura sobre a barriga.

Dá para fazer com saia, calça, vestido, fazendo nó na camiseta ou camisa, experimente aí!

Já desde esse começo, peças boas de ter no armário são:

  • tudo o que tenha cós de elástico

  • saia lápis com tecido flexível

  • leggings com algum material ou detalhe diferentão

  • vestidos tubinho


4. NO FINAL

Aí a gente já acha que não tem forma de nada, e o que pode ajudar bastante é delinear o corpo com alguns truquinhos. Quanto maior a barriga, mais desse efeito vai ter a roupa justa. Sobreposições, terceiras peças, se vestir em camadas, também ajuda a entregar informação de estilo e conforto.

Claro que se você gosta do estilo mais soltão e confortável, não tem porque deixar de usar, ok?

Aqui também rola mostrar a barriga mesmo, mais delineada impossível! Um cropped, pantalona cintura baixa e um chemise aberto: arrasa!



5. SEMPRE

Tudo no look conta para que a gente continue se sentindo a gente, e também continue fisicamente confortável, o que é super importante! Algumas dicas:

  • sapatos que não apertem quando o pé for inchando ao longo do dia: aí vai depender do seu estilo se isso é um tênis, uma sapatilha, um salto grosso, enfim

  • acessórios que não pesem, aí o material conta mais que o tamanho

  • roupa que facilite a ida ao banheiro (que passa a ser sempre emergência!)

  • lingerie no tamanho correto, sem costura, com laterais grossas: a ideia é não incomodar nem marcar


6. PÓS-PARTO

Se a relação com o corpo e a roupa pode ser complicada durante a gravidez, no pós-parto os desafios mudam, mas estão longe de acabar! Agora é quando a gente nem se deu conta e são 6 da tarde e ainda não tomamos banho! Imagina ter tempo e disponibilidade mental para pensar em roupa!

Vamos então de dicas práticas:

  • sutiã de amamentação: não saia comprando um monte, sugiro comprar 2 do mais básico e barato que encontrar, até você entender qual vai ser o tamanho do seu peito amamentando. Aí, de acordo com seu estilo, você procura o correto e compra a quantidade que pareça suficiente.

  • descubra qual a sua versão dessa fórmula infalível: parte de cima que facilite a amamentação + parte de baixo super flexível. Tem mil jeitos de fazer, não tem que ser sempre legging com camisão. Se for esse seu estilo, tudo bem, mas busque o seu! Lá no meu Pinterest tem um monte de ideia!

  • paciência: é normal que depois do parto nossa barriga fique como de 6 meses por um bom tempo, que pode durar até mais que a gravidez mesmo. Você não deve nada a ninguém, não se desespere por voltar ao seu "corpo de antes" porque, né, seu corpo de antes não tinha filho!


7. DEPOIS

Diria que uns 80% das mulheres que me contratam querem se reencontrar pós-filho, então não, você não está sozinha e isso não é estranho! Podemos até passar pela gravidez e pelo puerpério sem nos entendermos com nosso armário, botando na cabeça que é algo temporário. Mas a coisa se complica um pouco mais quando já temos que (ou queremos) voltar a nos dedicar a algo mais que aos filhos, e nosso armário não acompanha. Aqui, minha dica seria voltar a se conectar com seu closet, ir identificando o que você gosta agora e provar se funciona. Se não dá para passar por uma consultoria agora, vá experimentando e aprendendo sozinha, afinal, ninguém sabe mais de você que você mesma, eu garanto. A mudança no estilo de vida é enorme com a maternidade e a roupa é só uma pequena parte, uma consequência. Se a pessoa que existia antes da gravidez morre mesmo, tenho certeza de que nasce uma mulher muito mais interessante e cheia de possibilidades!

Feliz dia para você que, antes de ser mãe, é um indivíduo completo!


nota: este texto é uma revisão e adaptação de um texto meu publicado na revista digital chilena Franca Magazine (https://francamagazine.com/dia-de-la-madre-maternidad-a-tu-estilo/) em abril de 2022.

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